quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Lição 9 - O Principio Bíblico da Generosidade


A paz do Senhor!


Vamos dar continuidade a lição desse trimestre seguindo o tema, O PRINCÍPIO BÍBLICO DA GENEROSIDADE. Essa é uma grande oportunidade para sanar as dúvidas relacionadas à caridade, ou seja, o amor em ação.


Nós vamos falar sobre algumas questões que na verdade são pouco divulgadas no meio cristão, e quando são, na maioria das vezes, são faladas ou incompletas, ou de forma errada. Por isso, esteja preparado, estude a lição até entendê-la. Leia uma, duas, três vezes e se preciso for, leia mais, muito mais, até o momento que você consiga formar um conceito sobre o assunto.
Seguindo o pensamento do comentarista da lição, eu quero extrair da Bíblia Sagrada (principio bíblico) a orientação de Deus para os cristãos, relacionada à generosidade.


Obs: Quando se fala em generosidade, fica difícil não falar de caridade, e logo vem à nossa mente, que esse conceito tem alguma coisa à ver com o espiritismo. Na verdade, esse termo ficou associado à eles, pelo fato de serem pessoas que fazem muitas doações, que ajudam muito os pobres ( infelizmente o diabo conseguiu tomar esse título dos cristãos, pois quem precisava ser conhecidos como caridosos, éramos nós, os crentes).


Na etimologia da palavra, caridade é o amor demonstrado através das ações, ou seja, eu vou mostrar o meu amor (que é invisível, é abstrato) através das minhas ações (que são visíveis, que são concretas), e tudo sem esperar nada em troca.
Eu, particularmente prefiro a tradução em português por João Ferreira de Almeida - Revista e Corrigida, onde a palavra amor aparece traduzida por caridade ( I Co 13:1), já indicando uma ação que foi gerada pelo sentimento. (para uma compreensão maior sobre amor como o motivador de nossas atitudes, leia os nove primeiros capítulos do artigo “Apresentação do blog”, postado neste blog).
CONTEXTO BÍBLICO

É interessante você mostrar o fundo histórico do texto para seus alunos, pois assim, fica mais fácil eles entenderem o que estava acontecendo com Paulo e também, do que ele estava falando e para quem ele se dirigia. (cuidado para não falar história demais!)

“No final de sua primeira carta aos coríntios (16:1-4), Paulo mencionou uma coleta para os santos. Agora ele aborda com detalhes o tema da caridade. As Epístolas do Novo Testamento e o Livro de Atos deixam claro que entre 52 e 57 d.C., grande parte do trabalho de Paulo foi dedicada à arrecadação de dinheiro para “os pobres dentre os santos”que estavam em Jerusalém (Rm 15.26; Gl 2.10). Mas por que havia tanta pobreza entre os cristãos de Jerusalém? Sem dúvida, um motivo era o fato de que muitos eram colocados no ostracismo pelos judeus, que se recusavam a empregar, ou até mesmo comprar bens de pessoas que nessa época eram encaradas não como membros de uma seita judaica, mas como apóstatas. Outra razão foi uma escassez de alimentos causada pela superpopulação, que resultou em época de fome no ano 46 d.C., durante o governo de Cláudio(At 11.27-30). O problema dos pobres teria sido exacerbado pelos pesados impostos cobrados na Palestina, não somente pelos romanos, mas também pelos governantes locais. Também foi sugerido que a boa vontade daqueles que possuíam grandes propriedades de vender suas posses para manter os pobres, embora pudesse ter satisfeito necessidades imediatas, teria , a longo prazo, causado o impacto do empobrecimento de todos (At 2.44,45; 4.32-35)." (COMENTÁRIO HISTÓRICO-CULTURAL DO NOVO TESTAMENTO, p. 381)


Independente de quais eram as causas da pobreza dos crentes de Jerusalém, Paulo aproveita para ensinar sobre os princípios bíblicos da caridade para o novo concerto.

Começemos:


A primeira e mais maravilhosa observação sobre ajudar aqueles que estão passando por necessidade é que DAR, é uma das melhores maneiras de nós sermos amados por Deus! É verdade!
Em II Corintios 9:7 está escrito: Cada um contribua segundo propôs no seu coração; não com tristeza, ou por necessidade; porque Deus AMA ao que dá com alegria.
O texto não diz simplesmente, “porque Deus se agrada”, ou “porque Deus se alegra”, nem mesmo,”porque Deus abençoa ao que dá com alegria”. O texto é claro em dizer que Deus AMA ao que dá com alegria.
DAR é uma decisão da própria pessoa, Paulo tem todo o cuidado de deixar claro que ele não estava ordenando, veja “ II Corintios 8:8 - Não digo isto como quem manda, mas para provar, pela diligência dos outros, a sinceridade de vosso amor”. DAR é uma expressão genuína de amor (caridade) sincero, e não uma obrigação ou dever.
É por isso que a atitude de quem oferta (de quem dá), é tão importante para Deus, pois é a própria pessoa que toma a decisão! Essa decisão é uma AÇÃO DO HOMEM. Agora, vamos desmistificar alguns conceitos errôneos que permeiam nas nossas igrejas.
É preciso valorizar aquilo que Deus diz pela Sua Palavra, que realmente tem valor, vejamos:


Mateus 7:22 - Muitos me dirão naquele dia: Senhor, Senhor, não profetizamos nós em teu nome? E em teu nome não expulsamos demônios? E em teu nome não fizemos muitas maravilhas? 23 - E então lhes direi abertamente: Nunca vos conheci; apartai-vos de mim, vós que praticais a iniqüidade.
Note que nesse verso, alguém está destacando ações que na realidade NÃO SÃO AÇÕES DO HOMEM, mas sim AÇÕES DE DEUS (profetizamos /expulsamos demônios /muitas maravilhas) então, quando esse homem expõe esse argumento para Jesus dizendo que “nós fizemos”, na realidade não haviam feito nada. Dons são operações de Deus através dos homens, e é por isso que ter dons não garante salvação para ninguém, e nós, cristãos, nos enganamos muitas vezes pensando assim, e deixamos de lado as coisas que Deus quer que façamos. Todas as vezes que você decidir fazer alguma coisa para glorificar à Deus, você vai agradá-Lo.

Daniel decidiu não se contaminar com a comida do rei, “(Daniel 1:8) - E Daniel propôs no seu coração não se contaminar com a porção das iguarias do rei, nem com o vinho que ele bebia; portanto pediu ao chefe dos eunucos que lhe permitisse não se contaminar.” Nós precisamos entender que é necessário partir de nós essa atitude, a decisão de não cometermos pecado, a decisão de buscarmos mais a face de Deus e não somente suas mãos D'Ele como disse o famoso escritor Pr. Tommy Tenney em seu livro “Caçadores de Deus” (recomendo a leitura) e não podemos em hipótese nenhuma nos esquecer que ofertar, doar, é uma atitude que deve brotar no meu coração, não porque Deus me mandou fazer, mas porque eu entendi que eu preciso demonstrar gratidão à Deus e amor ao próximo quando ele estiver passando por necessidade.


“Cada um contribua segundo propôs no seu coração”, Paulo esclarece: Você tem liberdade para ofertar, não se pode obrigar e nem estipular valores para a pessoa, é ela quem deve decidir, é ela que propõe no seu coração o que deve ser feito, amém! Porém, a liberdade não anda sozinha, ela sempre traz consigo a responsabilidade e não podemos enxergar a caridade como um fardo, mas sim como ela realmente é, UM PRIVILÉGIO!


Depois de falar no que é sem dúvida nenhuma, a maior de todas as dádivas advindas da nossa liberalidade em ofertar - o amor do Pai – vamos falar sobre outras conseqüências pelo fato de sermos generosos.
Apesar de não podermos ser generosos para ser abençoados por Deus, quando nós nos prontificamos em ajudar os necessitados, Deus também se prontifica em nos abençoar.
Conseqüências para o doador:
Deuteronômio 15:10 - Livremente lhe darás, e que o teu coração não seja maligno, quando lhe deres; pois por esta causa te abençoará o SENHOR teu Deus em toda a tua obra, e em tudo o que puseres a tua mão. 11 - Pois nunca deixará de haver pobre na terra; pelo que te ordeno, dizendo: Livremente abrirás a tua mão para o teu irmão, para o teu necessitado, e para o teu pobre na tua terra.
Quando alguém entende que dar com alegria é cumprir a vontade de Deus, ele acaba sendo receptor da benção que vem do Pai e Deus acaba também sendo louvado por essa ação:

“ O recebimento da doação estimula o louvor a Deus, e orações pelo doador.Doar, portanto, tem conseqüências espirituais diretas, além das materiais. Nós não doamos somente para suprir necessidades de outros; mas, porque, ao doarmos, aprofundamos o relacionamento de outros com o Senhor; e fazemos com que sintam seu amor, e sua preocupação constantes.
Aplicação. Os dois grandes capítulos de Paulo sobre a caridade nos ajudam, como indivíduos, a reexaminarmos nossa atitude em relação à riqueza, e nossa sensibilidade em relação às necessidades de outros. Mas, estes ensinamentos também sugerem que aqueles em posição de liderança na igreja deveriam reexaminar não somente seu ensino sobre caridade, mas também a maneira como a igreja procura angariar fundos. Apresentando claramente as necessidades para as quais se destinam as contribuições, e instruindo as pessoas sobre os conceitos que Paulo apresenta aqui, generosidade ainda maior pode ser estimulada, e Deus receberá ainda mais louvor”. (COMENTÁRIO HISTÓRICO-CULTURAL DO NOVO TESTAMENTO, p. 387)

Por: Prof. Nei Paulino

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